quarta-feira, janeiro 09, 2008
O bacalhau que não chegou a ser aquecido!
É digno de se começar esta bela história trágica de um bacalhau com um...era uma vez um bacalhau embalado com prazo de um ano de vida, pelo consumismo de um supermercado qualquer, que num belo dia de verão me é entregue em pleno sul juntamente com outros produtos embalados...previa-se uma aventura de uma vida para este bacalhau, que discretamente esperava a sua vez de se exprimir, e de conseguir o seu objectivo...este era de viajar por esse mundo fora, em encontro a uma africa em renovação, onde seria apreciada exaustivamente por ávidos deste prazer! Teria uma paragem breve em Oeiras, numa dispensa por vezes semi-deserta, mas respirava ansiedade por todos os poros em prol do objectivo final...como em qualquer história, existem imprevistos e mais tarde cancelamentos....o bacalhau embalado sentiu-se triste e abandonado....tal como certos instintos, começa a libertar odores em busca de uma atenção merecida...foi-lhe explicado as razões em modo de promessas quase políticas, e posto numa varanda à beira-mar como uma antecipação da sua viagem...o bacalhau vai perdendo a sua esperança, tendo por vezes pensamentos suicidas, com gritos de liberdade até que o dia tão desejado surge...a alegria naquela embalagem era evidente, já envelhecida de tanta depressão, mas o rejuvenescimento vai surgir certamente...de volta a um saco de que tão bem conhece, o bacalhau junta-se aos seus companheiros de luta, ficando entrestecido pelo facto de que faltam alguns, já nessas incineradoras deste país depois do prazo ultrapassado...mas a sobrevivência e a esperança são o respirar deste bacalhau...a viagem começa, ficando deveras desconfiado por a viagem ser curta, e quando é retirado do saco, a expressão muda muito rapidamente da alegria para o desespero, devido ao facto de que ele conhecia aquele ar e que não era uma áfrica desejada....o seu projecto de vida tinha sido destruído, tendo só agora a esperança de um forno quente rodeado de batatas e cebolas...foi entregue ao seu dono inicial, que sem motivo aparente o insere num balde do lixo, sem ligar às preces de um bacalhau envelhecido mas lutador por natureza, que tanto lutou pelo seu sonho...é um final triste de um ser vivo que foi menosprezado e subestimado pelo consumismo acelarado de uma sociedade sem perdão...r.i.p. numa lixeira qualquer do algarve!
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1 comentário:
podia ao menos ter sido sepultado ao som do "bacalhau quer alho" do Quim Barreiros...
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